O termo é usado para se referir às consequências resultantes de um grande aumento nas entradas de capitais em um determinado país. A Doença Holandesa é normalmente associada à descoberta de um grande volume de recursos naturais, mas também pode ser resultado de um grande afluxo de divisas estrangeiras, inclusive investimento direto, ajuda financeira de outros países ou até de um aumento substancial nos preços de commodities e de recursos naturais (caso da Venezuela).
A Doença Holandesa tem basicamente dois efeitos:
1) Uma queda na competitividade dos produtos manufaturados e em consequência das suas exportações;
2) Um aumento das importações substituindo a produção nacional.
No longo prazo, isso pode significar postos de trabalho sendo transferidos para países de mão de obra mais barata. O resultado final é que a indústria manufatureira é solapada pela riqueza gerada pela indústria de transformação de commodities.
O termo "Doença Holandesa" é derivado de uma crise ocorrida na Holanda em torno de 1960 resultado de grandes descobertas de depósitos de gás no Mar do Norte. A riqueza descoberta causou a super-valorização da sua moeda, encarecendo as exportações dos produtos que não tinham relação com a indústria do gás.
Nos anos 70 o mesmo processo ocorreu com a Inglaterra, quando o preço do petróleo quadruplicou e tornou-se viável a prospecção no Mar do Norte na costa da Escócia. Ao final da década, a Inglaterra já havia se tornado exportador de petróleo bruto. O valor da Libra subiu às alturas, mas o país entrou em recessão quando os trabalhadores começaram a demandar aumentos salariais e a exportação deixou de ser competitiva.
Somando-se a isso, a realização de uma Copa do Mundo em 2014 e uma olimpíada de 2016, fica a impressão de que o Brasil está enveredando pelo mesmo caminho. Terão nossos governantes a auto-disciplina necessária para nos tirar dessa arapuca histórica?
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